04 janeiro 2026

Porque os EUA atacaram a Venezuela

 

Não se trata de combater tráfico de drogas, nem de terrorismo e muito menos de salvamento à democracia, conforme diz a imprensa oficial e as cadelinhas amestradas do capital. O motivo que levou os EUA invadirem a Venezuela neste 03 de janeiro 2026 tem origem em 1974 quando Henry Kissinger, secretário de estado nos governos Nixon e Ford, fez um acordo com a Arábia Saudita criando o PETRODÓLAR, um sistema que manteve os EUA como potência econômica dominante nos últimos 50 anos.

Por esse acordo, todo o petróleo vendido globalmente deveria ser cotado em dólares americanos. Em troca, os Estados Unidos forneceriam proteção militar. Esse fato criou uma demanda artificial por dólares em todo o mundo. Todos os países do planeta precisam de dólares para comprar petróleo. Isso permite que os Estados Unidos imprimam dinheiro ilimitadamente enquanto outros países trabalham para isso. O petrodólar é mais importante para a hegemonia dos EUA do que porta-aviões.

O caldo americano começa a entornar quando a Venezuela, que possui 303 bilhões de barris de reservas de petróleo, (as maiores do mundo, mais que a Arábia Saudita), começa a vender seu petróleo em yuan, euro, rublo, qualquer moeda, menos em dólar, e para completar, solicitou adesão ao BRICS.

Observemos o seguinte cenário: a Rússia vende petróleo em rublos e yuans desde o início da guerra com a Ucrânia. A Arábia Saudita está discutindo abertamente pagamentos em yuan. O Irã negocia em moedas que não o dólar há anos. A China construiu o CIPS, sua própria alternativa ao SWIFT, com 4.800 bancos em 185 países. O BRICS está construindo ativamente sistemas de pagamento que contornam completamente o dólar. O projeto mBridge permite que os bancos centrais liquidem transações instantaneamente em moedas locais.  A entrada da Venezuela no BRICS, com seus 303 bilhões de barris de petróleo, aceleraria isso exponencialmente. É disso que se trata essa invasão.

Olhemos no tempo e na história e veremos o que acontece com líderes que ousaram desafiar o sistema Petrodólar. Em 2000 Saddam Hussein anuncia que o Iraque venderá petróleo em euros em vez de dólares. Em 2003 os EUA invadem o Iraque, Saddam é assassinado e o Iraque promove mudança de regime. O petróleo iraquiano voltou imediatamente a ser cotado em dólares. As tais armas de destruição em massa nunca foram encontradas porque nunca existiram.

Em 2009, Gaddafi propõe uma moeda africana lastreada em ouro, chamada "dinar de ouro", para o comércio de petróleo. Em 2011 a OTAN bombardeia a Líbia, Gaddafi é sodomizado e assassinado e acabou a ideia de moeda lastreada em ouro. E-mails vazados de Hillary Clinton, então secretária de estado no governo Obama, confirmam que essa foi a principal razão para a intervenção.

A invasão a Venezuela e a prisão de Maduro é a repetição de um modus operandi que o resto do mundo olha, mas finge não ver ou prefere fechar os olhos aceitando versões e narrativas inverossímeis e estapafúrdias.

Não se trata de enfrentamento ao tráfico de drogas. A Venezuela responde por menos de 1% da cocaína consumida nos EUA. Não se trata de terrorismo. Não há nenhuma evidência de que Maduro lidere uma "organização terrorista". Não se trata de democracia. Os EUA apoiam a Arábia Saudita, que não realiza eleições.

PS. O presente texto contém dados obtidos no blog pessoal do advogado Luiz Carlos Rocha

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