Não se trata de combater tráfico de drogas, nem de
terrorismo e muito menos de salvamento à democracia, conforme diz a imprensa
oficial e as cadelinhas amestradas do capital. O motivo que levou os EUA
invadirem a Venezuela neste 03 de janeiro 2026 tem origem em 1974 quando Henry
Kissinger, secretário de estado nos governos Nixon e Ford, fez um acordo com a
Arábia Saudita criando o PETRODÓLAR, um sistema que manteve os EUA como
potência econômica dominante nos últimos 50 anos.
Por esse acordo, todo o petróleo vendido
globalmente deveria ser cotado em dólares americanos. Em troca, os Estados
Unidos forneceriam proteção militar. Esse fato criou uma demanda artificial por
dólares em todo o mundo. Todos os países do planeta precisam de dólares para
comprar petróleo. Isso permite que os Estados Unidos imprimam dinheiro
ilimitadamente enquanto outros países trabalham para isso. O petrodólar é mais
importante para a hegemonia dos EUA do que porta-aviões.
O caldo americano começa a entornar
quando a Venezuela, que possui 303 bilhões de barris de reservas de petróleo, (as
maiores do mundo, mais que a Arábia Saudita), começa a vender seu petróleo em
yuan, euro, rublo, qualquer moeda, menos em dólar, e para completar, solicitou
adesão ao BRICS.
Observemos o seguinte cenário: a Rússia
vende petróleo em rublos e yuans desde o início da guerra com a Ucrânia. A
Arábia Saudita está discutindo abertamente pagamentos em yuan. O Irã negocia em
moedas que não o dólar há anos. A China construiu o CIPS, sua própria
alternativa ao SWIFT, com 4.800 bancos em 185 países. O BRICS está construindo
ativamente sistemas de pagamento que contornam completamente o dólar. O projeto
mBridge permite que os bancos centrais liquidem transações instantaneamente em
moedas locais. A entrada da Venezuela no
BRICS, com seus 303 bilhões de barris de petróleo, aceleraria isso
exponencialmente. É disso que se trata essa invasão.
Olhemos no tempo e na história e veremos
o que acontece com líderes que ousaram desafiar o sistema Petrodólar. Em 2000
Saddam Hussein anuncia que o Iraque venderá petróleo em euros em vez de
dólares. Em 2003 os EUA invadem o Iraque, Saddam é assassinado e o Iraque
promove mudança de regime. O petróleo iraquiano voltou imediatamente a ser
cotado em dólares. As tais armas de destruição em massa nunca foram encontradas
porque nunca existiram.
Em 2009, Gaddafi propõe uma moeda
africana lastreada em ouro, chamada "dinar de ouro", para o comércio
de petróleo. Em 2011 a OTAN bombardeia a Líbia, Gaddafi é sodomizado e
assassinado e acabou a ideia de moeda lastreada em ouro. E-mails vazados de
Hillary Clinton, então secretária de estado no governo Obama, confirmam que
essa foi a principal razão para a intervenção.
A invasão a Venezuela e a prisão de
Maduro é a repetição de um modus operandi que o resto do mundo olha, mas finge não ver ou prefere fechar os olhos aceitando versões e narrativas inverossímeis
e estapafúrdias.
Não se trata de enfrentamento ao tráfico
de drogas. A Venezuela responde por menos de 1% da cocaína consumida nos EUA.
Não se trata de terrorismo. Não há nenhuma evidência de que Maduro lidere uma
"organização terrorista". Não se trata de democracia. Os EUA apoiam a
Arábia Saudita, que não realiza eleições.
PS. O presente texto contém dados obtidos no blog pessoal
do advogado Luiz Carlos Rocha
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